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Vai que dá- os timings e frustrações das inseminações

Fazer tratamentos faz com que tenhamos a nossa vida planeada ao dia e à hora. Isto de ter timings para tudo, de injecções, ecografias e inseminações faz com que a nossa vida fique ligeiramente limitada.
Chegámos a ir a Portugal de forma imprevista e improvisada, apareceu-me o período ainda em Portugal e marquei a nova ecografia para o meu regresso... Por acaso correu bem e eu sabia mais ou menos quando deveria ser a altura, a única vantagem destes timings todos cronometrados é que acaba por ser bastante previsível.

Lembro-me bem de ser frustrante, não é a logística mais fácil e depende um pouco da nossa postura. Chegámos a ir a Bruxelas de carro, ter com uns amigos, e dei injecções no carro (a primeira que me dei a mim própria) e até em casas de banho públicas. Eu tentei sempre descomplicar, depois de cada inseminação íamos passear e namorar para tentar dar normalidade ao dia...

Mas no final valeu a pena!



E as dores?

Voltar a falar de endometriose neste mês de Março, mês de consciencialização desta doença terrível!

Desde que engravidei as dores pararam, não porque a gravidez resolva alguma coisa. Ao contrário do que muitos dizem e acreditam, engravidar não cura endometriose. O que acontece é que não havendo menstruação, por norma, não há dor.
Após o parto caso amamentem o mais provável é não haver dor até chegar a primeira menstruação.
Tive algumas pontadas pontuais nos ovários e tive uma moinha tipo dores que antecedem a menstruação uma vez.

Uma coisa que me acalmou foi durante a cesariana, visto a médica saber que me preocupava com possíveis focos de endometriose, procurar vestígios de endometriose, felizmente nada foi visível.
Filhos só daqui a uns anos que as creches são caras mas é bom saber que com os tratamentos e as hormonas injectadas nada reapareceu.


Endometriose e gravidez

Pois muita gente me pergunta quais os efeitos da gravidez na endometriose e vice-versa.
Teoricamente, durante a gravidez a endometriose entra em estado de latência, ou seja não se espalha nem aparecem novos focos e muitas mulheres falam num decréscimo de dor, sem período as dores associadas a essa altura não se fazem sentir.

Mesmo antes do diagnóstico tinha uma dor na região abdominal inferior sempre que fazia pressão, com a gravidez desde o início a dor intensificou, pior nalgumas posições, a rir à gargalhada, a tossir e às vezes só porque sim me dói muito mais.

Deduzo que o mais provável seja um foco que era demasiado pequeno para se ver, talvez tenha aumentado com as hormonas dos tratamentos e agora com o crescimento do útero que faz pressão em tudo e o alongamento dos ligamentos fará mais mossa...

Não é algo incapacitante mas, se numa gravidez dormir se vai tornando complicado pela falta de posição, esta dor implica ainda maior minúcia para encontrar uma posição confortável em que não tenha dores...

Agora para que fique claro, gravidez NÃO cura endometriose!


E depois da cirurgia?

Já passaram dois meses e até agora sinto-me bem. Tenho menos dores diárias apesar delas existirem, menos dores menstruais também. Mas continuo a ter dores e pontadas em vários dias do ciclo. Não achava que ia ser milagroso, mas acho que está melhor...