Mostrar mensagens com a etiqueta Reprodução medicamente assistida. Mostrar todas as mensagens
Mostrar mensagens com a etiqueta Reprodução medicamente assistida. Mostrar todas as mensagens

Vai que dá- os timings e frustrações das inseminações

Fazer tratamentos faz com que tenhamos a nossa vida planeada ao dia e à hora. Isto de ter timings para tudo, de injecções, ecografias e inseminações faz com que a nossa vida fique ligeiramente limitada.
Chegámos a ir a Portugal de forma imprevista e improvisada, apareceu-me o período ainda em Portugal e marquei a nova ecografia para o meu regresso... Por acaso correu bem e eu sabia mais ou menos quando deveria ser a altura, a única vantagem destes timings todos cronometrados é que acaba por ser bastante previsível.

Lembro-me bem de ser frustrante, não é a logística mais fácil e depende um pouco da nossa postura. Chegámos a ir a Bruxelas de carro, ter com uns amigos, e dei injecções no carro (a primeira que me dei a mim própria) e até em casas de banho públicas. Eu tentei sempre descomplicar, depois de cada inseminação íamos passear e namorar para tentar dar normalidade ao dia...

Mas no final valeu a pena!



Acabou o anonimato

O fim do anonimato na doação de gâmetas tem levantado muitas dúvidas, incertezas e preocupação, tanto por profissionais como por casais que estão dependentes de doações.
Em Portugal já existia um déficit de gâmetas, sendo prática comum a compra de outros países, agora o receio é que acabe por haver ainda menos doações o que vai encarecer ainda mais os tratamentos.
Na Holanda quando se antecipava a aprovação da lei as doações caíram drasticamente para praticamente 0 e as listas de espera no banco nacional passaram a ser de 2anos.

Eu sou contra a alteração da lei, mas quanto a isso nada há a fazer no imediato, agora outra polémica é que não ficou explícito se há efeitos retroativos ou não. Mas não será inconstitucional pessoas que doaram os gâmetas em anonimato, gâmetas que foram usados e geraram vida, agora virem a ser abrangidos por esta alteração?

Por via das dúvidas os centros de procriação medicamente assistida estão a contactar dadores para saber a sua posição e se podem continuar com os processos em curso ou não.
A infertilidade já é algo difícil de lidar, há imensos custos associados para a maioria dos casais, o stress e a pressão emocional é enorme, consome muito das pessoas e agora, como se não bastasse, ainda tiveram os tratamentos em standby porque não se sabe o que fazer...

E as dores?

Voltar a falar de endometriose neste mês de Março, mês de consciencialização desta doença terrível!

Desde que engravidei as dores pararam, não porque a gravidez resolva alguma coisa. Ao contrário do que muitos dizem e acreditam, engravidar não cura endometriose. O que acontece é que não havendo menstruação, por norma, não há dor.
Após o parto caso amamentem o mais provável é não haver dor até chegar a primeira menstruação.
Tive algumas pontadas pontuais nos ovários e tive uma moinha tipo dores que antecedem a menstruação uma vez.

Uma coisa que me acalmou foi durante a cesariana, visto a médica saber que me preocupava com possíveis focos de endometriose, procurar vestígios de endometriose, felizmente nada foi visível.
Filhos só daqui a uns anos que as creches são caras mas é bom saber que com os tratamentos e as hormonas injectadas nada reapareceu.


Boy or girl?


Pois é... vamos ter uma menina... Na ecografia tudo está dentro dos valores normais, dentro das médias e isso é muito bom.

É maravilhoso mas dispensava

É fantástico estar grávida, ter conseguido, saber que em breve vamos ter um bebé, mas se me perguntassem se adoro estar grávida a resposta seria não.

Até agora tive enjoos até às 13 semanas, depois comecei a tomar ferro por causa de baixa hemoglobina e os enjoos voltaram (consta que é normal), dores que vão e voltam. No início quando tossia ou espirrava de manhã doía-me o ovário direito, agora nem tanto mas se tusso muito é uma dor no ovário que nem vos digo (super estranho).
Cansaço, é suposto passar e está melhor mas cadê aquele boost de energia que faz uma grávida pensar que pode tudo????
Se já dormia mal agora ainda pior. Por isso deixem-se de "aproveita agora para dormir que depois não consegues", já antes não conseguia dormir bem e agora ainda menos e aposto que vais ser cada vez pior!
Toda a gente me pergunta pelo calor, ai o calor é terrível! Seria se eu não tivesse mais frio que calor ahahaha pelos vistos dá para os dois extremos, neste momento não tenho muito frio mas já tive. Este foi o sintoma/efeito secundário da gravidez que menos me chateou.
A barriga cresce independentemente de ganhar peso ou não, neste caso mal ganhei peso, mas já estou a imaginar que vou parecer uma baleia ambulante. A falar em barriga crescer óleo de amêndoas doces dá vontade de vomitar, enjoei de tal forma que nem posso pensar muito nisso.
Nem preciso esperar pelo final da gravidez pelo inchaço, basta ficar um dia muitas horas em pé e fico com o pé num trambolho, que já acontecia anteriormente em dias de muito calor mas agora nem precisa estar calor...
Nem vamos falar de mamas não é verdade?!
Porque é que a história da cegonha é mentira????

Não me levem a mal, apesar de tudo estou muito contente com a criaturinha que aí vem :D

12 semanas

Foi uma manhã inteira no hospital, que é onde sou seguida no departamento de ginecologia e obstetrícia, começou com uma eco. Criatura grande, encolhida para não se deixar medir (com algum esforço lá deu), cérebro em borboleta, 5 dedos em cada mão, estômago com líquido amniótico, batimento cardíaco forte e normal(desta vez já deu para ouvir e é brutal!), placenta posterior (vou sentir a criatura bastante bem), tudo normal para esta fase, é isso que se quer ouvir certo?!

Seguiu-se consulta dos rastreios onde escolhi os testes genéticos não invasivos, em Portugal é gratuito, aqui qualquer rastreio seja o teste combinado (eco + historial familiar) ou os genéticos/bioquímicos são todos pagos à parte do seguro obrigatório. Perguntaram também se poderia participar num estudo científico e não posso dizer que não né?!

Depois disto segui para a consulta com o médico, mediu a tensão, falámos um bocado sobre como corre a gravidez, passou mais umas análises e marcámos a próxima eco, consulta e teste de glucose.

Por fim fui tirar sangue, adoro #sqn. Correu tudo mal, fora ter de tirar 10 tubos de sangue (não pela quantidade de sangue mas porque quantos mais tubos mais tempo demora), faltou a luz já ela estava quase a espetar a agulha, a luz voltou, espetou a agulha e algo correu mal porque colocava os tubos e não havia vácuo, teve de trocar de agulha, picar de novo e lá deu. No meio disto tudo senti-me mal e pedi que reclinasse a cadeira mas que continuasse a tirar sangue que queria despachar-me...

Outra boa novidade é que escolhi bem o meu novo seguro, posso escolher ser seguida no hospital, sem custos adicionais, onde sou vista ora por médicos ora por enfermeiras, onde não é opção ter um bebé em casa (nunca na vida seria a minha opção mas aqui é o standard) e se quiser epidural, como disse o medico, peço e eles dão (é um custo à parte de cerca de 200€, mas se estiver à rasca quero lá saber)

Saí da consulta aliviada, optimista e feliz. Pulei para a bicicleta e fui aproveitar a folga com o Ricardo.


Não há confirmação mas o Edgar, imagiologista, diz que parece ser menina...

Fuck!!!

19 de Maio de 2017, 11h45 voltámos a fazer uma ecografia. Dia 12 de Maio(foto abaixo) foi a primeira eco, 7 semanas e meia, coração forte, tudo normal excepto duas estruturas que não se sabia bem o que era, fora o embrião, talvez hematomas ou um embrião que não se desenvolveu, mas queriam seguir o progresso da coisa. Fiquei muito feliz, saí empolgada e optimista.
Dia 19 voltámos para follow up. As estruturas retrocederam, na bolsa do embrião continua um embrião com o coração forte, mas o embrião cresceu bem menos do que devia. Enquanto que uma semana antes estava uns dias maiores do que a média, desta vez estava uns dias mais pequenos. Porquê? Não sabem. Pode ser um defeito embrionário ou pode ter havido um erro de medição. Para ter a certeza, nova eco 12 dias depois.
É terrível não saber, só me apetece chorar, vão ser os 12 dias mais longos que já tive de esperar... Eu sei que numa gravidez normal ainda não teria feito nenhuma ecografia, se não fossem as estruturas extra também não teria repetido, se de facto não crescer é porque não estava bem e queremos que esteja certo?!

Please be OK... (spoiler alert, está tudo bem mas não ganhei para o susto)


À terceira é de vez?

Fiz a 3a inseminação dia 3 de Abril, esperma em quantidade e qualidade (yay), mas doeu que se fartou. Provavelmente porque a bexiga estava cheia mas não dolorosamente cheia e aparentemente tem de ser mesmo mesmo cheia porque faz com que o útero fique super direitinho e desta vez, mesmo no fim do útero, estava ligeiramente curvado e o cateter raspou ali e doeu!! Doeu mesmo!

Doeu o espéculo (como sempre), doeu o cateter, ficou a doer algum tempo depois, doeu cada vez que passava de bicicleta nalguma irregularidade da estrada mas passou, cheguei a casa, estive com o Ricardo, fiz pilates e alongamentos e continuamos optimistas!

Dia 19 de Abril, o período não veio. Vou à clínica fazer análise ao sangue e, contrariamente ao que eu esperava e ao que outras pessoas esperavam, estava calma e tranquila. Até me disseram que eu estava era em negação, estava anormalmente calma.

Tira sangue, enfermeira impecável que teve paciência com esta paniquenta das agulhas, vai para o trabalho e espera pela chamada.
13h40- É para lhe dizer o que o resultado é mesmo bom. A hormona está num nível mesmo mesmo mesmo bom.

Claro que chorei, o meu colega até ficou preocupado porque eu nem conseguia falar e quando consegui balbuciar o que se passava deu-me um grande abraço e até ele quase chorou.
Liguei logo ao Ricardo, que ficou em êxtase, depois liguei à minha mãe, irmã e pai e no dia a seguir dissemos em directo via skype aos pais do Ricardo, claro que o pai dele nem disse mais nada de tão choroso.

Estou de 13 semanas, depois de alguns sustos, vieram normais. Até agora temos um feto saudável :D

Inseminação 101

in·se·mi·na·ção 
substantivo feminino
1. Depósito do sémen do macho nas vias genitais da fêmea.


Segundo o dicionário inseminação- depósito do sémen nas vias genitais da fêmea.
É exactamente isso, mas de uma forma terrível.

Primeiro temos de estar com a bexiga cheia para o útero estar bem esticadinho e se conseguir colocar o sémen o mais fundo possível.

Segundo, acho que ninguém acha que um espéculo é algo de confortável, eu odeio, odeio mesmo, de ir às lágrimas.

Terceiro limpam o colo do útero com uma gaze, altamente desconfortável mas tem de ser.

Por fim colocam o cateter, que foi a única coisa que não senti porque é bem fininho.

O melhor mesmo é depois poder fazer xixi! Já me doía a bexiga de tão cheia.
Fez-se, não é agradável, dói, mas não é o fim do mundo (se bem que se me vissem pensariam que é, pela quantidade de palavrões, ais e lágrimas).

E depois, upa para a bicicleta fazer a vida normal...

E não resultou

E veio o período... Como estava sem dores até nem estava à espera, mas agarrei em mim e liguei para marcar o recomeço de novo tratamento.
Estava bem, fiz um dia normal, o Ricardo estava também de folga, fomos tomar pequeno-almoço fora e tudo...

Chegou à noite, estava cansada e decidi ir para a cama, comecei num pranto, uma parvoíce pegada!! Sabia que a probabilidade era baixa, que possivelmente teríamos um longo caminho pela frente, mas não consegui e explodi!! Apesar de tudo soube muito bem, saiu tudo, o acumular do stress e ansiedade e a tristeza de não ter sido bem sucedido...

Próxima etapa, aumentar um bocadinho a quantidade de hormonas para ter dois folículos em vez de um, para aumentar a probabilidade de sucesso... 



1a IIU, o processo

Desde já lamento o texto extenso...

Primeira consulta começa com eco para verificar os ovários e o útero. Tudo normal. Sigo para a farmácia para levantar as hormonas (GonalF para desenvolvimento folicular e Ovitrelle para estimulação da ovulação) . Da parte da tarde volto para a instrução de como injectar. Acreditem, é fácil, mas eu sou uma maricas e quase desmaiei duas vezes, mas dei!


Segundo dia e o maridão decidiu interferir e dar-me ele as injecções. Afinal uma relação é para o bom e para o mau e eu tenho o melhor marido do mundo, que me dá as injecções, leva comigo maricas e a reclamar com ele e mesmo assim continua a fazê-lo...



Ao sexto dia, depois de um fim-de-semana fora, onde até injecções no carro e em casas-de-banho foram dadas, o Ricardo decide tentar dar devagar e com calma em vez de rápido, porque me andava a aleijar imenso. E funcionou!! Não doeu quase nada...


Dia 8, eco em que tenho um folículo de 12mm. Dia 10 nova eco e o folículo cresceu para 17,5mm (como esperado, média de 2mm por dia) e no dia 11 foi a última injecção de GonalF pois apenas precisamos de um folículo com mais de 18mm. 

Espermograma

Aqui por norma não fazem espermograma antes de começar um tratamento mas em Portugal, enquanto andei a ser seguida, foi-me recomendado o Ricardo fazer. Para despistar e porque já que eu andava a fazer tantos exames "vamos por o marido a trabalhar um bocadinho também".
Fez-se o exame e os resultados não foram ideais. Teratozoospermia (morfologia anormal de uma percentagem maior do que a normal, sim que ninguém tem todos os espermatozóides bonitos, perfeitos e móveis).
Voltando para a Holanda, levámos os resultados a uma das minhas consultas. Pediram um segundo exame (feito sensivelmente 1mês e meio depois do primeiro) e o resultado veio normal!

É normal haver variações, a alimentação influencia muito e em Portugal comemos muito pior do que aqui. Mais, um mês e meio é tempo mais que  suficiente para ter esperma totalmente novo. E ainda, quando cá cheguei e perante o primeiro resultado fui pesquisar e, mesmo não havendo dados conclusivos, comprei um suplemento vitamínico de omega 3, viamina D e DHA que poderia ter um efeito favorável na morfologia. Mal não fez, apesar de atribuir a melhoria do resultado maioritariamente ao nosso estilo de vida bem mais saudável do que em Portugal.

Aconselho a quem quer engravidar e possa ter alguma dificuldade a procurar um estilo de vida saudável, tanto para os homens como para as mulheres, ajuda na fertilidade de ambos e só traz benefícios.


Endometriose e infertilidade

Não andam necessariamente de mão dada mas, por norma, há uma redução de fertilidade. Quando me diagnosticaram após a cirurgia e visto ter ovulações irregulares e, por vezes, não ovular, foi-me aconselhado fazer IIU com estimulação.

Consiste em recorrer a hormonas para garantir ovulação, rastrear o desenvolvimento dos folículos, induzir a ovulação e depois inseminar in vivo (não in vitro) ou seja, colocar o esperma dentro do útero. Isto aumenta a probabilidade dos espermatozóides encontrarem o óvulo e eventualmente se dar fecundação. Depois é deixar o corpo seguir o curso natural...

É um método que, sendo artificial, é dos mais próximos possível do natural. Não há extracção de folículos dos ovários nem inseminação in vitro e posterior implantação no útero. Até certo ponto deixa-se o organismos tratar da maioria das coisas sozinho mas dá-se um empurrão inicial...