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Dia da mulher



O dia da mulher não é um dia para se dar flores, fazer almoços ou jantares ou mandar mensagens pirosas e clichés a todas as mulheres que conhecemos. O Dia da Mulher é muito mais que isso, é um dia que devia ser de reflexão sobre o porquê deste dia existir sequer!
Não há igualdade de género! Em coisa nenhuma, nem em salários, nem em direitos, nem em justiça!Um estudo da ONU concluiu que 90% da população tem preconceitos contra as mulheres em pelo menos um aspecto, metade acha que os homens são melhores líderes políticos e que em caso de escassez de trabalho os homens deviam ter mais direito a postos de trabalho. Cerca de 28% acha aceitável que um homem bata na sua parceira. o estudo mostra que o número de pessoas com algum tipo de visão negativa sobre as mulheres aumentou nos últimos anos. O estudo inclui mulheres e homens e o precocneito de mulheres contra mulheres aumentou mais do que o dos homens. Podem ler mais aqui, aqui e aqui. Também podem ler o artigo da visão sobre Paridade, ou a falta da mesma, aqui, artigo escrito pela fantástica jornalista Margarida Vaqueiro Lopes e podem ver o quão mal Portugal está.
Eu quero mesmo que a minha filha não tenha de sofrer todos os preconceitos que ainda existem! Isso passa por educarmos os nossos filhos, rapazes e raparigas, de uma forma correcta! Temos de passar às gerações mais novas que todos temos direitos iguais, que todos temos de ser julgados da mesma forma independentemente do género, etnia, religião ou orientação sexual.







As mulheres em Portugal

Saiu no Público o artigo "As mulheres em Portugal. Quem são e o que pensam?" e acho que todos devíamos olhar bem para os dados publicados. É assustador ver que 33% das mulheres são infelizes e 20% são quase felizes. 56% está infeliz com o seu corpo e 50% com o tempo que tem para si, talvez porque a maioria do trabalho doméstico ainda recai sobre as mesmas, mesmo quando têm trabalho remunerado (mais de 70% do trabalho doméstico recai sobre as mulheres).
Quando se verifica que para mulheres que trabalham e têm filhos a carga de trabalho não remunerada recai maioritariamente sobre as mulheres, tenham ou não parceiro, mas contribuem de igual forma nas despesas familiares.


Posto isto, cabe-nos a todos mudar esta situação, não é plausível que igualdade de género só venha a ser uma realidade daqui a 5 ou 6 gerações... Porque é que temos esta informação e pouco se faz? Porque é que se continua a dizer "ai tens imensa sorte que ele te ajuda em casa" ou quando os putos estão doentes e o pai fica a cuidar deles "Então mas não tem mãe?".
Temos o dever de ensinar os nossos filhos melhor, temos o dever de lhes ensinar através do exemplo, que é a melhor forma de aprender. Temos o dever de tentar mudar a nossa mentalidade! Se as mulheres não ajudam os homens nas tarefas domésticas porque havemos de achar que eles ajudam as mulheres? Porque é que ouço isto vindo de imensas mulheres? Não estão eles a fazer apenas o que lhes compete?

E pensam vocês que isso é muito bonito de se dizer mas nem sempre funciona, porque parece que eles não vêem os cestos atolados de roupa, nem se aperceberam que tiraram o último pacote de leite do armário ou que as fraldas estão a acabar. Mas há formas de contornar isso. Eu e o Ricardo temos tarefas repartidas, dividimos pelas coisas que preferimos fazer, eu odeio limpar o pó e ele não tem grandes desejos de limpar a cozinha, eu quero limpar as casas-de-banho então limpa ele o chão da casa toda, eu cozinho e ele trata da roupa, vamos os dois às compras mas ele até vai mais vezes que eu e a loiça vamos tratando. A Bia vai também ajudando a colocar roupa na máquina e a tirar loiça da máquina, a limpar vidros e até a varrer (pelo menos tenta). Isto não quer dizer que ele não cozinhe ou que eu não meta roupa a lavar mas a responsabilidade principal, a carga mental de se preocupar com isso, é de quem tem essa tarefa. Quando a miúda está doente quem fica com ela ou a vai buscar à creche varia, depende se eu tenho reuniões importantes ou se tem ele e tentamos repartir o máximo possível. E isto que nós fazemos é o normal! Pode não ser a regra mas é o normal! Trabalhamos ambos em full-time e cuidamos ambos da nossa casa e família...



Desigualdade de género

De acordo com o "2018 report on equality between women and men in the EU" ainda temos um longo caminho até à igualdade! Se nalguns indicadores estamos melhores, noutros nem por isso e ao longo do tempo tem havido anos melhores, seguidos de anos melhores falhando alguma consistência.
Na Holanda é frequente que as mulheres trabalhem muito mais em pat-time do que os homens, coisa que não se verifica em Portugal. Esta diferença pode ser explicada pela falta de necessidade. No entanto mulheres mais dependentes economicamente, mais facilmente ficarão em relações abusivas ou apenas em situações onde não se sintam felizes porque não têm forma de se sustentar.
Um dos primeiros gráficos, no entanto, mostra uma realidade que me chocou! Quase metade dos portugueses acham que o papel mais importante da mulher é o de cuidar da casa e da família, ao contrário dos holandeses (apenas 15%).

Provavelmente o motivo por não haver mais mulheres no poder prende-se com preconceito e expectativas. Ainda é expectável que a mulher dedique mais tempo à casa e à família. Se uma mulher é ambiciosa muitas vezes é vista como agressiva, mas se for um homem é visto como um bom líder. (https://us.experteer.com/magazine/why-arent-more-women-in-power-positions/)
Muitas vezes culpa-se diferenças de comportamentos/interacções para a falta de mulheres em cargos de poder, mas um estudo feito em 2017 mostra que os comportamentos são bastante semelhantes logo é uma questão de preconceito que faz com que as mulheres nãos sejam promovidas. (https://hbr.org/2017/10/a-study-used-sensors-to-show-that-men-and-women-are-treated-differently-at-work)

Penso que tenha sido por causa dos motivos supre citados que se chegou às quotas. Talvez não seja a melhor forma de se ter as pessoas mais competentes num determinado papel, pelo menos não necessariamente. No entanto, como o problema parece ser uma questão de preconceito e não falta de competência, temos de começar por algum lado. O objectivo é que a igualdade de oportunidades seja uma realidade e as quotas não sejam necessárias como forma de garantir que se terá em conta uma mulher para o cargo.

Temos um longo caminho pela frente e depende de nós mudarmos a fora como se encara o papel da mulher na sociedade. Depende de todos nós, homens e mulheres, que a igualdade passe a ser uma realidade, no trabalho e em casa!

#netodemouraécorno

Ainda falando de mulheres, igualdade ou falta dela, um juiz que tem dado que falar pelas piores razões é Neto de Moura.
Estes são dois dos melhores vídeos a condenar os actos deste juiz utilizando a sátira, ambos foram ameaçados com processos no tribunal, com pedidos de indemnização de 100mil €.




 
(aqui a partir do minuto 5:41)




Dia da mulher

Enquanto ganharmos menos numa posição igual, enquanto nos perguntarem como vamos conseguir conciliar o trabalho com a família mas não ao nosso marido, enquanto me perguntarem se quando voltar da licença se volto a tempo inteiro ou vou querer alterar o meu contrato mas não perguntam isso aos homens, enquanto for na rua de noite e olhar para trás e sentir medo quando vem um homem atrás de mim na mesma rua provavelmente por acaso mas nunca se sabe, enquanto metade das mulheres assassinadas tiverem sido mortas pelos maridos/namorados, enquanto mutilação genital feminina for permitido, enquanto meninas casarem com homens, enquanto o facto de ser mulher for diferente de ser homem vale a pena relembrar este dia.

Não me dêem flores, chocolates ou prendas só porque sim! Façam algo! Façam a diferença! Respeitem as mulheres, hoje é uma desconhecida, amanhã pode ser a tua mulher, filha, neta... Tentem perceber que lutamos por algo que é uma realidade e não uma especulação, não somos exageradas, não devíamos estar caladas só porque já está muito melhor que antes, enquanto não houver igualdade nem mulheres nem homens deviam baixar os braços porque unidos conseguimos mais!

(repost do post do ano passado, porque há posts passados que, infelizmente ainda são actuais...)

Como me irrita/entristece

É uma dualidade de sentimentos quando me dizem "tens imensa sorte, o Ricardo ajuda-te em casa" ou "que sorte ele ajudar com a bebé".

Por um lado irrita porque ele não me ajuda, ele faz a parte dele, afinal ele também vive lá em casa, come, suja, também é pai da Bia, etc... Ele faz é a parte dele e isso devia ser o normal.

Por outro lado entristece-me, porque quer dizer que ainda há muitos homens que não fazem bola, ou que só fazem quando lhes é pedido. Para mim era impensável engravidar a pensar que vou ter de fazer tudo sozinha! Se um bebé suja a fralda é preciso trocar e não é preciso ser um génio para saber isto.
Claro que às vezes tenho de lhe pedir alguma coisa, ou ele pergunta o que é preciso fazer e eu é que tenho de saber, mas ele faz imensa coisa sem ter de pedir ou sugerir ou o que seja.

Estive doente ao mesmo tempo que a miúda e quando deu ele ficou com ela a ver se eu descansava, limpou a casa, fez quase tudo com ela e isto deveria ser o normal ou não?!

Espero que as mentalidades mudem, que consigamos ensinar aos nossos filhos que o correcto é fazermos as coisas a meias e não "ajudar"...