Agadir

Passaram 2 meses e eu nada de post... Não foi por não ter adorado, que adorei. Mas agora vai!
Sabíamos de antemão que o tempo não ia estar fantástico, a rondar os 24 graus, mas com o vento às vezes ficava fresco. Valeu-nos a piscina dos putos, onde a Beatriz se fartou de fazer apneia e nadar e saltar com água quentinha, às vezes quente demais.
A nossa ideia era ir de férias no sentido real da palavra, quando vamos a Portugal não sabe bem a férias porque há sempre mil coisas para fazer e pessoas para ver. Então achámos que merecíamos ir para um resort, tudo incluído para nem ter de pensar onde vamos comer e Agadir costuma ter boas temperaturas e encontrámos um preço excelente.
Ficámos no Labranda Dunes D'or que ficava coladinho à praia com camelos sempre a passar (podia-se pagar para andar de camelo), tinha tobogãs (não usámos muito), piscinas, kids club (usámos pouco), vários restaurantes e bares. Mas o nosso canto preferido foi uma pérgola junto à praia onde passámos muitas manhãs e fins de tarde.

O pessoal foi todo muito simpático e os quartos eram espaçosos, a casa de banho ok mas limpo. Com frigorífico e até um estendal na banheira (corda extensível), muito útil!
A comida foi sempre bastante razoável, muitas tagines, borrego delicioso, peixe grelhado, panquecas marroquinas deliciosas e MORANGOS, os melhores morangos que já comi na vida! A sério! O staff muito simpático, muito sorridente e ficaram todos amigos da Bia, no último dia até teve direito a uma rosa de papel e uns beijos repenicados na bochecha.
Restaurante de peixe que ao jantar foi fantástico mas ela estava de telha e ao almoço foi uma desilusão (os mesmos pratos, completamente diferente!). O Restaurante marroquino apesar de ter boa comida o serviço foi mauzinho, eles tentavam mas não davam conta.

Um dia fomos a um mini-zoo, Les vallée des Oiseaux, entrada gratuita, com cabras, lamas, muitos pássaros, mas achei que estava um bocado mal tratado. Na volta passámos a comprar uma bóia para a Bia e uma tagine, tudo regateado a um preço bastante considerável.

Antes de virmos embora fomos ao mercado, mas antes o taxista parou no museu do óleo de Argan, fomos ver como é que se faz e é trabalho super árduo feito por mulheres. Fora a apanha ter de ser manual, depois têm de extrair a noz retirando a polpa e por fim a semente partindo a noz, depois colocam a semente numa espécie de mó com uma pedra grande, abaulada com uma pega, em cima de uma outra lisa. Rodam a pega manualmente para extrair o óleo. Hoje em dia a rotação da pedra superior é também feita por máquinas.
Seguimos para o mercado no mesmo táxi (o senhor ficou a tomar café enquanto esperava e não cobrou mais) e adorei. O cheiro a fruta era fantástico, tinha imenso artesanato, nomeadamente caixas de madeira com compartimentos escondidos (comprámos uma), doces, chás, óleo de Argan e produtos com óleo, tudo e mais alguma coisa. Mas o que mais me impressionou foi que eles usavam 99% das vezes sacos de algodão (parecia-me pelo menos) em vez de plástico e acho que devíamos aprender mais com eles neste aspecto!

Aeroporto com imensos azulejos lindos, alguns edifícios com traço mais tradicional lindos, um areal enorme, comida boa e pessoas simpáticas, carros alguns sem cinto de segurança, uma realidade muito diferente da nossa... Adorei porque consegui descansar, Marrocos é para voltar num contexto mais cultural e menos de resort!













18 meses :D


E assim passaram 18 meses, a voar... Está tão crescida...

Melhor que nada mas tão pouco...

Ando numa crise existencial... Sempre me senti um bocado inútil no que toca a mudar o mundo, desde que fui mãe que isso mexe ainda mais comigo e desde que li algumas entrevistas ao Dr. Denys Mukwege, mas principalmente esta, que fiquei tão triste por não conseguir mudar nada... E partilhamos as histórias e fazemos doações para ajudar as vítimas desta catástrofe e outras, e tentamos dar educação às gerações vindouras mas, até lá, as atrocidades continuam a acontecer e não há nada que se consiga fazer... A ONU, UNICEF e outras organizações mundiais, que se encontram no terreno, não conseguem mudar mentalidades em dias ou meses, nem mesmo em anos muitas vezes.
Se os grandes pouco têm conseguido fazer eu nem uma migalha faço... Tento, mas acho pouco, muito pouco, melhor que nada mas tão pouco... 
Ando também a ver de projectos locais que possa apoiar ou até projectos em Portugal, sei que muita gente passa mal em Portugal, que há quem não tenha qualquer dignidade para viver porque o estado não protege sempre quem precisa...
Se tiverem ideias serão muito bem vindas...

Vai que dá- os timings e frustrações das inseminações

Fazer tratamentos faz com que tenhamos a nossa vida planeada ao dia e à hora. Isto de ter timings para tudo, de injecções, ecografias e inseminações faz com que a nossa vida fique ligeiramente limitada.
Chegámos a ir a Portugal de forma imprevista e improvisada, apareceu-me o período ainda em Portugal e marquei a nova ecografia para o meu regresso... Por acaso correu bem e eu sabia mais ou menos quando deveria ser a altura, a única vantagem destes timings todos cronometrados é que acaba por ser bastante previsível.

Lembro-me bem de ser frustrante, não é a logística mais fácil e depende um pouco da nossa postura. Chegámos a ir a Bruxelas de carro, ter com uns amigos, e dei injecções no carro (a primeira que me dei a mim própria) e até em casas de banho públicas. Eu tentei sempre descomplicar, depois de cada inseminação íamos passear e namorar para tentar dar normalidade ao dia...

Mas no final valeu a pena!



Tudo de uma vez

Há umas 2 semanas começou um surto de varicela na creche, aqui os miúdos podem ir doentes mas as educadoras não administram nada que não seja prescrito pelo médico, nem paracetamol. É desencorajado levar crianças que estejam prostradas e acho que ninguém quer levar os miúdos desconfortáveis e infelizes.
Eu pedi que colocassem a Bia perto dos outros miúdos, é uma daquelas doenças que em criança é bem mais fácil de lidar e, se tudo correr bem, apenas se tem 1 vez.
Em vez de varicela, há cerca de uma semana voltámos aos problemas com os ouvidos, com líquido a sair dos dois ouvidos e os caninos inferiores a rebentarem em força também.
Entretanto segunda-feira ao fim do dia apareceu a primeira bolha que hoje, quarte-feira, já está a secar. Até agora não está terrível mas tem algumas numas zonas que coitadinha... Espero que não seja muito mau e que consigamos diminuir o desconforto dela. Entretanto desde as 4h que mal dormimos por isso hoje vai ser um dia difícil!

Festa na creche


Domingo que passou a creche da Beatriz deu uma festa. todos os anos fazem uma grande festa para todos. Este ano tinham um castelo insuflável com escorrega incorporado, pinturas faciais, uma senhora a fazer com balões tudo o que se quisesse, comida, bebida, uma mini quinta com coelhos, pintos e porquinhos da índia e música.
A Beatriz ficou um bocado perdida/desorientada. Por um lado estávamos na escola, por outro nós não fomos embora e estava imensa gente, tudo no recreio. Apesar disso divertiu-se a ver os bichos, andar nuns balancés e na caixa de areia. Conhecemos finalmente os pais dos outros 2 meninos portugueses, é sempre bom ter alguém para falar a nossa língua.
Foram umas horas divertidas e bem passadas e toda a gente se divertiu!


Isto é que é greve!

Hoje, terça-feira, há greve geral de transportes na Holanda toda. Isto significa que não há transportes públicos alguns no país. Conseguiram ter 4 comboios por hora entre o aeroporto de Amesterdão e a Estação Central (costumam ser 15) e pouco mais no país inteiro por isso foi aconselhado a que quem pudesse ficar em casa, ou o trânsito seria infernal e provavelmente não se conseguiria chegar a lado algum em tempo útil.
Conclusão a cidade está uma calmaria, no trabalho somos meia dúzia e 5a e 6a é feriado ahahah. Eu vim porque venho de bicicleta assim como os poucos que cá estão. Alguns colegas foram a uma conferência e a organização arranjou shuttles que partem de 15 sítios diferentes espalhados por variadas cidades do país ou quem quisesse podia ficar num hotel e eles pagavam.
São 24h sem transportes, começou na madrugada de hoje até à madrugada de quarta. Assim é que se faz greve, para-se o país inteiro num dia a meio da semana (um dos mais movimentados), para ver se assim conseguem ser ouvidos.
O melhor mesmo é dentro das cidades andar de bicicleta, mesmo com toda a chuva que se faz sentir!
 Foto retirada da internet

Eleições europeias

Dia 23 de Maio lá fui eu exercer o meu direito, e a meu ver dever, de voto. Aqui vota-se sempre durante a semana, as mesas de voto estão, por norma, abertas das 7h30 até às 21h o que faz com que haja poucas desculpas para não votar.
Por norma os holandeses costumam ter boa adesão nas eleições, 75-80%, mas nas europeias costuma ser bem menor. Este ano, apesar do aumento de 4%, apenas 41,2% das pessoas foram votar.
O sistema aqui é um pouco mais complexo do que em Portugal. Os boletins de voto são enormes, até se dobram como uma carta topográfica, lembra-me os anos de escutismo, porque por cada padtido temos vários candidatos e votamos nos candidatos em Particular. Como decidir? Sinceramente tive 3 critérios a seguir, o primeiro foi escolher em que partido votar, depois dentro do partido ver se algum candidato vive na Bélgica (sim acho importante, vivendo em Bruxelas é menos provável que chegue a meio do dia segunda e saia a meio do dia na sexta por exemplo, o mesmo para outras cidades perto de Bruxelas) e o terceiro foi ver se dentro dos candidatos que moram na Bélgica se havia mulheres. Em princípio os candidatos defendem todos o mesmo e acho importante colocar um pouco mais de representatividade feminina no círculo político europeu.
O primeiro contacto com as eleições aqui foi um bocado chocante, com todos os candidatos mas agora que já sei faço alguma investigação em quem votar e tem corrido melhor...
Um colega meu, bem como todos os vizinhos do bairro, não receberam o passe de voto (documento a entregar quando se vota visto que se pode vota em qualquer lado), pediu uma segunda via e até ao dia nada, pena que não haja opção mas se isto aconteceu com um prédio inteiro deduzo que possa ter acontecido com mais pessoas. Triste e algo a evitar porque ele queria ir votar e não pode...
E vocês foram votar?

Nova rotina ao deitar

Desculpem a ausência mas depois de uma enxaqueca com direito a enjoos e lágrimas impossíveis de conter, estou de volta.
Uma pessoa acha que tem uma rotina que funciona e vai ser sempre assim, mas digo-vos que nós tivemos de alterar a nossa...
Ela começou a ficar imenso tempo para adormecer, choramingava, se lá íamos berrava e ainda era pior e estava cansada, não era falta de sono. Então um dia decidimos inserir a história antes de deitar, banho, cremes, pijama e vamos para o quarto meio escuro e com ela ao colo do Ricardo encostada eu leio a história (tem sido sempre o Nody mas já me enjoa, vou tentar variar mais, mas ela não se chateia), levanto-me no final, fecho a cortina, coloca-se o saco cama e cama. Às vezes nem sequer um ai, agora que já percebeu a rotina choraminga um bocado porque sabe o que aí vem mas cai na cama e dorme...
É assim, com bebés é assim, nunca se tem uma versão definitiva de rotinas ao deitar, com a idade precisam de mais tempo para acalmar, neste caso a história dá-lhe uns minutos para acalmar em pleno porque, mesmo não vendo TV, tablets e afins, ela quer é brincar connosco... Felizmente ela adora livros mas tenho poucos em português e em casa quero que ela aprenda português...

(saída do banho para me sentar no chão com ela, a ler)

Coisas inúteis para bebé

Fitas para segurar brinquedos e afins- já ouviram falar de atacadores??? Mais barato e faz o mesmo...

Chupetas que brilham no escuro- escolham umas quaisquer porque a luminosidade decai significativamente rápido e a meio da noite não sobra um resquício de brilho. Por isso, na realidade, é indiferente se brilha ou não.

Luvas de recém-nascido- Se não tiverem, não desesperem. Eu não tinha luvas pequenas o suficiente e sabem o que resulta bem? Meias, meias nas mãos.

Balança- primeiro eu cheguei a pesar a miúda dentro de um balde na balança digital de cozinha (dá até aos 8 quilos). Apenas porque ela tinha perdido mais de 10% de peso na maternidade e para seguir o desenvolvimento nas primeiras semanas (a primeira consulta foi aos 2 meses e a segunda aos 4). Mas na realidade, depois de perceber que ela estava a crescer bem, deixei de a pesar semanalmente (so o fiz até à consulta dos 2 meses). Ter uma balança em casa pode ser perigoso, pode induzir em erro e trazer stress fora que, na maioria das vezes não é, de todo necessário. Gastem o dinheiro em algo mais útil.

Protectores de berço- muita gente adere com mede do bebé pequeno dar cabeçadas nas grades e fazer algum traumatismo mas é um erro colocá-los até os bebés serem completamente exímios a rolar. Senão o que pode acontecer é ficarem com a cara contra aquilo e acabarem por sufocar. Um risco desnecessário. Já pensei em colocar agora, que a Bia se levanta da cama e tem imensa destreza, porque ela às vezes dá umas cabeçadas mas não se incomoda muito e continua a dormir...

Redes mosquiteiras- Deram-me uma portátil que nunca usei e há também as que se podem colocar por cima do berço. Quando o bebé já se levanta pode ser perigoso por isso é um item que eu dispensaria. Se viverem num local com Malária, Dengue ou até mesmo Zika então sim...

Aranhas- Um dos artigos que mais acidentes provoca e em 2004 levava 2 crianças ao hospital por dia (https://www.educare.pt/opiniao/artigo/ver/?id=11587&langid=1) e em 20018 2 mil crianças nos EUA (https://nit.pt/fit/saude/as-aranhas-podem-afetar-o-desenvolvimento-dos-bebes-mas-continuam-a-venda). Contrariamente ao que se acredita não estimula a marcha, pelo contrário, impede o desenvolvimento do equilíbrio e coordenação motora e até pode alterar o desenvolvimento plantar e dos músculos dos membros inferiores.

Mobile para berço- aqueles bonecos que ficam pendurados na cabeceira e anda à roda. Eu acho um desperdício e uma possível distracção na hora de dormir, depende do bebé mas eu aposto que seria muito mais divertido ficar a falar com os bonecos do que dormir.